sábado, 3 de março de 2012

Nana-nina-não





Esses dias aprendi o valor do não. Todo mundo defende essa idéia de liberdade, de poder aceitar as coisas, poder fazer as coisas, se jogar, se deixar levar. 

E todos se esquecem que o poder de escolha traz junto a negação, o poder de olhar pras coisas e negá-las sem justificativa, sem razão aparente e sem a mínima necessidade de uma explicação.

Liberdade é você com você. É acertar as contas com o espelho. É dizer pra você mesmo o que fazer, quando, onde, como e com quem. Você decide ninguém mais.

A gente fica se justificando tanto pelos erros, pelas coisas que fez. E acaba se esquecendo que não fazer, não precisa ser justificado. Deixa as coisas leves, como que levadas numa boa, do jeito que você quis. Por que em certa hora você NÃO quis sair, NÃO quis comer, NÃO quis deixar suas séries de lado por alguém que não valia a pena.

Um não bem dado vale muito mais que vários “sins” distribuídos no calor da emoção. Vale muito mais que aqueles “sins” que no dia seguinte não fizeram sentido algum.

Do tipo “Pra que comi aquele cup cake enorme ontem? Podia não ter comido”. E sabe, se lembrar de não ter comido o cup cake dá uma força, um poder, uma vontade de gritar pro mundo “Ei, sou forte e você?”.

O não está ai pra ser usado, o mesmo tanto, ou mais que o sim. O ‘não’ não veio pra limitar, pra negar, pra te privar. Ele veio pra libertar, pra dar poder, pra deixar a gente decidir, escolher. As vezes dizer ‘não’ é dizer ‘SIM' pra felicidade, a gente só se esquece disso.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Felicidade egoísta


Eu sou dona de mim mesma, muito mais dona do que achei que seria. Sou tão dona de mim que chego a me perguntar se isto é certo, se eu não deveria fazer algo semelhante à uma reforma agrária interna, dividir em pequenos pedaços minhas felicidades, para que outros pudessem aproveitar também. Por que afinal, eu resolvi viver para isso.

Talvez algumas pessoas tenham direito a me ter. Por que não? Quando foi que me tornei tão egoísta a ponto de não me dividir, de colocar minhas questões, minhas prioridades na frente de qualquer coisa?

Cheguei a um ponto de acreditar que não amaria mais, que o amor me fez sofrer tanto que ele acabaria por ali, e eu não deixaria mais ele aparecer sem avisar. Resolvi que minha felicidade não seria atrapalhada por nada, e eu me senti vazia. Como se não amar, me tornasse tão detestável a ponto de eu mesma não me suportar.

Quando fiz isso descobri que minha felicidade é a coisa mais importante que existe, sim. E eu decidi que meu amor seria tão detestável quanto eu, seria seletivo, e chato. Por que é a minha felicidade não é egoísta. Minha felicidade está na felicidade de quem amo, e é isso que não me faz ser insuportável, muito menos egoísta.

Sou feliz de ver amigos realizados, sou feliz de acertar o presente para minha mãe, sou feliz de enfrentar horas na fila apenas para minha sobrinha ter a foto com Papai Noel. Na hora que minha felicidade está fora de mim, eu me sinto completa. Me sinto perfeitamente justa diante do meu ‘egoísmo’. Por que no fundo todos nós somos assim. É claro que uma hora você tem que pensar em você, no que você quer fazer, e não no que os outros querem que você faça, mas isso não te faz uma pessoa pior.

E em certo momento você vê que no fundo os clichês sobre amor e felicidade têm quase sempre razão. O amor alimenta a alma, o coração. É sempre o amor mesmo que bobo, mesmo que esquecido, mesmo que sem razão.

Por que amor não é só paixão, amor não é só sofrimento, amor não é só saudade. Amor é tudo em uma coisa só, mas dividido em milhões de partes. Por que amor é tão simples que se torna complexo. Amor é tão detestável que se torna atraente. Mais ainda, ele se torna essencial para que se seja digno da chamada felicidade.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Desencontro marcado



E de repente eu me vi te olhando, entre nós, somente aquela rua estreita. E eu te vi, me olhando como antes, como sempre, como nunca deixou de ser. E enquanto eu te via eu lembrava daquele tempo, que só de ter suas mãos com as minhas eu já me alegrava. Porque eu podia saltitar ao seu lado, como num filme idiota de romance.

Eu te vi diferente, com ela você estava diferente. E apesar de tudo o que sei, tudo o que eu mudei nos últimos tempos, eu me senti como antes, como se tudo ainda fosse igual. Era você, eu e aquela maldita rua entre nós. Eu só queria saber quando surgiu isso, quando acabou, quando a gente deixou a vida decidir que era melhor sermos só amigos.

Ainda tenho vontade de te ligar, de sair pra comer alguma coisa, ou ver um filme em uma noite tediosa durante a semana. E quando a rua surgiu, é a parte que eu ainda não entendi. E eu ainda me pergunto o que você sabe? O que você pensa? Por que eu ainda tentaria, recuperar todo o final? Aquele final, perdido entre esquinas, de ruas estreitas e desconhecidas.

Eu te amava sabia? Só não queria assumir isso antes, depois ou mais tarde. Eu sinto que cada palavra que digo não irá alcançar lugar algum, como se a ligação que eu insisto em não fazer ainda me calasse.

Por que eu fui tão idiota ao seu lado? Por que parecia que sua voz derretia alguma parte dos meus neurônios? Eu sinto apenas que tudo o que eu preciso é te ouvir chegar e me chamar baixinho perto do meu ouvido, como se as coisas fossem as mesmas de tempos atrás.

Eu só queria que tudo voltasse, e que te ter ao meu lado fosse permitido. Queria ser sua quando você quisesse, assim como um vinho que te espera durante a semana para descontrair. Eu te queria aqui, do meu lado agora, me dizendo todas aquelas bobagens de signos que me fazem virar uma pré-adolescente do seu lado. Queria ouvir suas ladainhas pra me convencer, que sempre me convenceram.

Eu queria ser menos idiota insegura do seu lado. Eu poderia ir aonde você quisesse, onde eu quisesse ir com você. Sabe, eu já acho que não tenho medo, eu me esqueci do que me deixou perdida, na verdade só queria me perder com você. Eu me perderia em qualquer lugar, até mesmo naquela maldita rua escura que estava entre a gente, só para ver até onde ela pode chegar.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Exigência


E aí surge aquela vontade de tentar, de ir atrás e ver o que acontece, sendo que no fundo ainda há a certeza, uma “Vozinha”, baixinha que diz; “Você vai quebrar a cara”. Aquela voz baixa, que insiste em dizer o que suas amigas falariam, se você colocasse todas as suas idéias para fora.

Acho que nossa memória tem um dispositivo para nos proteger do nosso passado. Um botãozinho que é acionado quando as lembranças doem demais quando passam por nossa mente. E uma hora a dor diminui e a gente começa a se esquecer o que fez as coisas serem como são.

A gente esquece as brigas, os choros, os desesperos e os porquês. E começamos a querer tentar de novo, e de novo, e de novo. Acho que isso se chama esperança.

O problema não é ter esperança, o problema é se esquecer do que te fez perdê-la um dia. Uma hora temos que encarar nossos erros, nossas vontades e deixar certas coisas pra trás. Nunca é fácil, encarar, separar o joio do trigo e decidir: “Vou por esse caminho, e não por este”.

Sempre tive mania de me envolver com caras que não tinham muito a ver comigo. Um não gostava de sushi, o outro detestava comédias românticas, um odiava meu vício por Coca-cola, e tinha um outro que odiava as minhas séries. E ainda teve um que no terceiro encontro já me disse que não queria casar, que seu último namoro tinha sido péssimo, e que sua próxima viagem seria para um campo de guerra. É claro que nenhum deu certo, mas eu insisti, eu tentei, fui até onde não havia mais a chamada esperança.

E quando a esperança acabava, eu me conformava, e lembrava que desde o começo minha “Vozinha” já sabia que não daria certo. Sim, eles tinham qualidades, mas eu sabia que os defeitos uma hora iriam superá-las.

Chega uma hora que você se dá conta que as coisas têm seu caminho, mas que você ainda é responsável pelas suas escolhas, e pelos caminhos a serem seguidos. Talvez eu tenha começado a ser mais radical, ou não. É só que agora logo no começo dou muito mais ouvidos à minha própria “Vozinha” quando ela diz; “Você vai quebrar a cara”.

É ela que me lembra meus porquês, minhas histórias e todas aquelas coisinhas que eu insisto em esquecer quando a esperança surge diante de um sorriso bonito, ou um cara encantador. E a minha “Vozinha” agora tem companhia, o nome dela é Exigência.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Pé na bunda


E nesses dias que você sai de casa e resolve não pensar em nada, é quando parece que o mundo gira, querendo fazer você lembrar, pensar, repensar e questionar. Naqueles dias que você já cansou de rever seus problemas, sempre tem alguém que vem te mostrar que existe coisa pior, ou melhor, acontecendo por aí.

Em um desses dias entre o café corrido no meio da tarde a amiga liga e você larga o expresso pela metade, para um encontro as pressas, por que às vezes o problema é sério. Tem hora que as coisas acontecem sem você prever, não era um acidente, por sorte não fui encontrar a amiga desesperada no pronto-socorro.

Não posso dizer que estava tudo bem. Encontrei ela de moletom, blusa do Pato Donald’s dentro de casa, com as janelas fechadas. Uma receita de brigadeiro, restos de delivery pela casa, isso sem contar nos seis DVD’s atrasados em cima da mesa da sala.

Nesse momento eu era a realidade, dando três soquinhos na porta antes de encontrar o buraco que ela havia se enfiado. E a realidade é rápida, quando você vê ela já chegou, sentou do seu lado e resolveu que dali não saía mais. E ali eu era a realidade, não a faxineira. Com uma colher de brigadeiro me sentei no sofá e resolvi saber o que aconteceu.

É que o amor decepciona, e às vezes a decepção vem com bônus, o bônus surpresa. Eu não estava ouvindo sobre um namorado de três anos, que terminou tudo pra ficar com a vizinha, mas do ex de três anos que cansou, virou as costas e seguiu em frente.

Tem hora que o amor acaba, é normal. E também é normal que o amor continue, porque relacionamento é composto por duas pessoas, o que uma sente não determina o que a outra sente ou deixa de sentir. E quando o amor fica desamparado, sem rumo, perdido em meio à casa fechada com delivery, brigadeiro e comédias românticas o amor vira desespero. Ele vira obsessão, saudade, e ele vira dor.

É porque o pé na bunda dói, ora! Dói sim, e não dói só na bunda dói na cabeça, na testa enrugada, no olho inchado. Dói dentro do peito, como se você infartasse no meio da comédia romântica. E a dor ainda reflete no espelho, nas roupas, no sapato, no salto que você não quer mais usar. Dói em cada vez que você quer gritar com a cara enfiada em um travesseiro. Foi difícil dizer, mas ia continuar doendo, por um bom tempo.

Eu acompanhei o brigadeiro, mas decidi que não ficaríamos alí. Saímos, tomamos um café, que se estendeu para uma cerveja, e uma posterior balada. Ela não encontrou o príncipe encantado naquela noite, nem nas várias que se repetiram. E aquela não foi a única vez que o brigadeiro nos uniu.

São coisas naturais, como a gravidade faz você ficar preso ao chão, como o álcool prejudicar a sua memória da noite passada. É natural que um dia, por acaso, você sofra por amor. E queira sumir dentro de casa, enfiada no meio de roupas velhas e filmes sem sentido. 

Mas a realidade é que uma hora passa, a dor diminui e o brigadeiro entre amigas, vira desculpa pra conversas, risos e diversão. E na hora que passa, o que antes representava dor vira sinônimo de amor e felicidade. Clichê, mas verdade.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Esquecida


Ela havia se esquecido de pensar.Há muito tempo não pensava, simplesmente não queria. Pensar pra que se jurava já ter tudo que queria?

Esqueceu de lembrar do médico, do trabalho, do compromisso, da irritação. Não pensava, nem nela, nem nos outros. Seguia, sem pensar. Deixou de lado o que antes importava, e passou a pensar no que achava importante agora.

Iria seguir buscando a felicidade, não importa qual fosse. Buscava a felicidade nos outros, e não nela mesma. Achava que um namorado faria a diferença, e se um não fez, por que não tentar com mais dois ou três?

Continuava se esquecendo, se esquecia da beleza, enquanto se escondia atrás de corretivos, blush e óculos escuros. Ligava sempre o som no máximo, pra não lembrar de pensar enquanto passava pela rua que havia morado, ou pela rua que passou no dia que decidiu parar de pensar.

Esquecia carteira, celular, bolsa, cartões, onde quer que fosse. Esqueceu seu coração em alguma esquina quando quis beber pra esquecer. Esqueceu quem era junto com o celular, no banco de uma boate qualquer.

Ela simplesmente já não lembrava, que podia ser feliz por ela mesma. Esqueceu que tinha tudo pra sorrir mas preferia não lembrar. Ela já tinha medo de sorrir.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Independente



Não preciso de um homem para carregar o lixo, levar as compras, me viro muito bem quando isso precisa ser feito. Não preciso de um homem que me leve aos lugares, tenho carro e sei muito bem me virar sozinha. 

Claro que é mais fácil ter um homem alto, disponível para trocar a lâmpada. Mas não há problema em arrastar a cadeira, e num simples movimento de parafuso, colocar a lâmpada nova em seu devido lugar.

Atualmente mulheres independentes assustam, homens se sentem meninos. Existem aqueles que não ligam, mas ainda há aqueles que se incomodam em ser deixados em casa. E ainda há mulheres que não querem esse papel.

Ora, existe o equilíbrio, e ele deve ser seguido. Não é que ser independente significa depressão, solidão ou estar encalhada. As coisas são complicadas, e muito simples, existe a opção.

Relacionamentos não são baseados em dependência, carência. Relacionamentos são opcionais, compartilhados, recíprocos. E se um relacionamento não é o que você procura, é melhor ficar sozinho.

É claro que às vezes bate aquela solidão, uma saudade que não tem de quem, é só saudade de querer estar junto. Mas estar junto por estar, não vale. Saudade de poder deixar o carro em casa e ser levada na farmácia. De deixar de ir pra balada por causa de uma vontade repentina de ir ao cinema.

Saudade de colo e de cafuné, de frio na barriga e de sentir saudade. Não é que a solidão seja um problema, até mesmo em relacionamentos ela é necessária. A individualidade costuma ser desvalorizada, esquecida e rejeitada.

É uma delícia escolher passar uma sexta-feira a noite vendo séries, debaixo das cobertas e comendo pipoca. Ainda mais quando você escolhe a série, o fondor da pipoca e usa a sua coberta velha. Mas é como já diz a música, é que um carinho às vezes faz bem.