quarta-feira, 13 de julho de 2011

Relacionar


Re.la.ci.o.nar (lat relatiore) sf 1 Listar, rol. 2 Ligação, vinculação. 3 Relacionamento. 4 Analogia, semelhança. 5 Mat Razão geométrica. sm pl Convivência, freqüência social trato entre pessoas; parentesco. Relações Humanas: Comportamento do individuo em seu contato com as pessoas. Relações públicas: intercambio de informações, entre uma instituição e sua clientela. Relações sexuais: cópula.
(Michaelis: dicionário prático da língua portuguesa. – São Paulo: Editora Melhoramentos, 2001.)

É muito simples, e qualquer pessoa com um nível de conhecimento básico, sobre significados, palavras e dicionários consegue achar a definição exata de relacionar. Mas na prática significados não costumam valer muito, devo dizer  que valem menos quando se trata do significado de relações humanas da coisa. E valem ainda menos quando o significado vem explicar o lado relação amorosa.

Se interpretarmos as relações pelo seu lado lógico, é muito simples perceber que relações possuem um inicio, meio e fim. Pessoas se conhecem se gostam, ficam juntas, se relacionam, não dão mais certo, se cansam, e deixam de se relacionar. Geralmente ao final de um desses ciclos, essas mesmas pessoas costumam jurar que não se meterão nessa encrenca de “Relacionar” com outras pessoas. Mas elas são humanas, e tempos depois de não estarem se relacionando, querem voltar a se relacionar, e começam tudo de novo.

Pode-se dizer que relacionar resume-se à convivência, trato ou parentesco, mas todos sabem que não é apenas isso. Relacionar-se exige muito mais de uma pessoa do que pode-se caracterizar, e é por isso que a maioria jura nunca mais se meter nessa encrenca relacional. Juram que nunca mais irão chorar, sentir falta, estar junto, e querer outro alguém. E quando percebem, estão indo ao cinema, tomando Milk shake, esperando um dia de chuva pra comer pipoca, estão ficando, estando, namorando, estão se relacionando.

Nada é tão simples quanto um significado de dicionário pode dizer, sempre que procuramos ser lógicos de mais, é quando sabemos que estamos nos perdendo em nosso inconsciente irracional. Buscamos respostas, explicações e qualquer coisa que justifique o nosso comportamento divergente de certo tempo atrás. Pessoas costumam aprender com relacionamentos anteriores e aplicar essa lição nos novos, o que facilita muito o ato de relacionar (ou não).

Relacionamentos são assim, não queremos, mas precisamos. Por isso desejamos sempre que eu relacione, que tu relaciones, que ele relacione, que nós relacionemos, que vós relacioneis. Que eles se relacionem e que toda essa coisa de relação, seja mais fácil do que decorar passados, presentes, perfeitos, indicativos e subjuntivos.

sábado, 9 de julho de 2011

Sinceramente


Você me pediu para não ter vergonha, para ser eu mesma, para te deixar me conhecer. Pediu com calor nos olhos, com carinho, com vontade. Me pediu de um jeito que há muito eu não via, não sentia.

Devo confessar que não é fácil assim, as coisas são bem mais complicadas, por mais que você já tenha tentado me provar que são muito simples. Tenho tentando me concentrar nas minhas coisas boas, para que você não me ache uma chata, cética e incrédula nas coisas que vão além da minha razão.

Na verdade, eu sou tudo isso, sou a casca dura que deixou de acreditar em simplicidade, a casca que achou que não se recuperaria depois de tantas vezes quebrada. Talvez você esteja certo, e as coisas sejam realmente simples. Mas eu, eu sou complicada.

Tão complicada que não me entendo, que me questiono, e que penso mil vezes antes de te falar qualquer verdade simples do meu dia a dia. Me acostumei, e hoje com facilidade sei que sou capaz de esconder todo e qualquer sentimento que esteja dentro de mim.

Isso não é bom, sei bem disso e sinceramente, é um dos meus maiores defeitos, dentre os tantos que você vai encontrar. Não durmo de porta aberta, falo palavrões, grito e sou mandona. Odeio que me digam o que fazer. Gasto mais da metade do meu dinheiro em roupas, e sempre acho que não tenho o que vestir. Amo meus saltos, por mais que eu saiba a dor que eles me causam.

Tenho mania de esmaltes, e você pode me ver com sete esmaltes diferentes ao longo da semana. Assumo que dou uma importância exagerada para minha vida social, mas me esqueço facilmente de ser simpática com quem não gosto. Dirijo igual homem, mas adoro homem que faz baliza com uma mão só. Confio exageradamente na opinião das minhas amigas, e odeio não ter razão. 

Sou o paradoxo em pessoa, e talvez por isso me ache tão complicada. Eu nunca vou saber responder o que eu gosto, muito menos tomar uma decisão de cara. Queria ser mais simples, mais direta e não ter medo de assumir minha sinceridade. 

Posso passar o dia esperando você ligar, mas sou incapaz de mandar uma mensagem. Talvez isso tudo seja culpa minha, de ter me deixado traumatizar, e esquecer que no fundo ainda tenho esperança. Mas na minha cabeça a esperança é minha e portanto, ninguém ficará sabendo.

Talvez meus olhos castanhos tenham te conquistado, ou você apenas se confundiu. Você pode dizer que não, que estou errada que as coisas acontecem assim, mas eu sempre acho que tenho razão. E no meio de toda a minha teimosia, eu só queria que você me fizesse mudar de ideia.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Constelação imaginária

Daqui uns dias eu vou acordar depois de mais um dos sonhos que você aparece. Já deixaram de ser sonhos há muito tempo, viraram pesadelos, e por isso me acordam. Quando eu acordar, vou fazer como sempre faço, vou levantar e pegar um copo de água bem gelada, tão gelada que vão me doer os dentes. 

Enquanto esqueço da dor, vou me sentar na varanda como sempre faço, vou ficar tanto tempo que a água vai aquecer. Enquanto ela aquece, de novo, fracassadamente, vou tentar achar aquela constelação de nome estranho que você me mostrou um dia. Ela nunca vai estar lá, na verdade acho que você inventou pra me fazer rir, e parecer um pouco mais intelectual. Acho que é por isso que eu queria tanto achá-la.

Vou tentar me convencer a parar de procurar. Mas não vou parar, você conhece minha teimosia. Uma hora, como sempre, vou me contentar com o Cruzeiro do Sul. 

Com todas as minhas forças, vou ignorar a vontade desesperada de te ligar, de mandar mensagem ou pegar o carro e parar na sua porta. A vontade não vai passar. E eu não vou ter desistido de achar aquela constelação. Pelo simples fato de você ter me prometido que, quando eu olhasse para ela, mesmo que você não estivesse olhando, estaria pensando em mim. 

Vou terminar de beber minha água, agora quente, vou trancar a porta e voltar a dormir. E você nunca vai saber da existência dessa noite. Assim como não soube de nenhuma das outras.

10/12/2009

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Desgostando




Seria mais fácil se as coisas tivessem uma ordem menos cronológica, que seguisse mais o que a gente quer e não o que a gente sente. Porque quando a gente resolve gostar, é fácil não ver defeitos, se deixar levar e acreditar em paixões, em amores. Você acredita na felicidade no casamento da prima, da amiga da tia, que encontrou seu príncipe encantado.

Porque se apaixonar é muito fácil, muito simples. É fácil adaptar horários, e se encontrar para um jantar durante a semana, ou um cinema. A perfeição está nos olhos de quem vê, e talvez por isso mesmo seja tão fácil. 

Difícil é esquecer toda a perfeição, que talvez nossos olhos tenham criado. Porque uma hora a realidade bate na porta, e geralmente ela bate a porta na sua cara, e dói. E você percebe que tem que se convencer que sim, todos os defeitos que suas amigas apontaram, existem.

Mas quando você resolve desgostar, resolve esquecer e usar o verbo "superei", aí o bicho pega. A felicidade alheia vem ser estampada na sua cara, junto com um buquê de rosas em plena segunda feira a tarde. Buquê que sua amiga recebeu, do namorado que ela vai casar um dia, e que você jura ser o casal perfeito.

Junto com a felicidade alheia, vem a amiga desiludida que engordou 5kg depois do fim do último namoro, seguido de uma temporada de 'Sex And The City' com brigadeiro. E amiga desiludida que te conta o caso da outra amiga que emagreceu 10kg depois do chifre do namorado, que na época era noivo.

Você se lembra dos buquês de rosas que já ganhou, e que ainda tem uma rosa seca dentro daquele livro que nunca terminou de ler. Lembra também que sabe de cor a maioria das falas de 'Sex And The City', por que afinal, você também já passou por isso antes.

E você tão confiante da sua auto estima, e da sua superação, começa a ter fé, a ter esperança no tempo, e a fazer regime para caber na calça jeans. Nessas horas geralmente o tempo não passa, por simplesmente você querer que ele passe depressa.

E aí você se dá conta que está sozinha, e que o inverno é mais frio do que você imaginava, ainda mais durante a noite. E a falta vem devagar, te mostrando que você não sente falta. Por que não se pode sentir falta do que não se teve, do que não existia. E o tempo continua no seu ritmo normal, por mais que você continue cheia de certeza de que ele nunca vai passar, você só não se deu conta que ele já está passando.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Existe alguém


De vez em quando a curiosidade me pega desprevenida, me coloca em alerta e me deixa fazendo perguntas sozinha. Daquele tipo de perguntas que a gente não sabe responder, que nos deixa pensando, cogitando e esquecendo da realidade por alguns segundos.

Nas vezes que a minha curiosidade insiste em me visitar, são geralmente as vezes que eu me pego fazendo aquilo, que eu juro que ninguém nunca ficará sabendo. Daquelas coisas que podem ser motivo de vergonha, mas que no fundo todo mundo faz. Aquele tipo de coisa boba, apaixonada que a gente esconde até da gente mesmo quando vê que está fazendo. Por que no fundo, é todo mundo idiota nesses casos.

Todo mundo queria saber um dia se existe alguém no mundo, que tem seu telefone na agenda e não tem coragem de ligar. Se existe alguém que já escreveu mensagens, e não teve coragem de enviar.

Saber se já abriram a janela do MSN, e não disseram nada. Se já inventaram desculpas imbecis, só para poder puxar algum assunto, que não fosse o tempo. Se existe alguém que visita o seu perfil no twitter, só para saber como andam as coisas.

Saber se existe alguém que curte as suas coisas do facebook, mesmo sem clicar no curtir. Todo mundo queria saber se alguém sabe o seu nome, telefone, endereço e sobrenome. Se alguém sonha com você, e acorda com vontade de dormir pra sempre.

Por que sim, já fiz todas essas coisas. Fiz várias vezes, fiz com pessoas diferentes, e com pessoas que nem sonhariam que isso já aconteceu. E por incrível que pareça, nessas horas eu sabia que existia alguém, e esse alguém era eu, mas disso ninguém precisava ficar sabendo.

E quando a curiosidade chega, me distrai e me faz pensar, eu só queria ficar sabendo se existe alguém que também já fez isso. Talvez eu me sentiria um pouco menos idiota assim. Por que eu só queria saber se existe alguém, que fez isso por mim.

domingo, 29 de maio de 2011

Fusível queimado



Outro dia enquanto eu me distraia com as minhas leituras de “O que toda mulher...” ou “Por que todo homem...”, e outros diversos títulos de auto-ajuda feminina. Me vi reparando no canto esquecido do meu quarto, que eu possuo um aparelho de TV a cabo. Abandonado, bem ao lado dá televisão que há muito tempo está quebrada. E se bem me lembro, além de tudo, eu possuo um pacote digital de TV a cabo. Sim, era pra eu ter imagem em high definition no meu quarto.

E diante da televisão quebrada, eu me perguntei o porque daquilo. Uma mesa, cabos, ligações e aparelhos tecnológicos, para uma televisão quebrada. E a cena não saía da minha cabeça, aquilo se tornou tão vazio.

No fim das contas eu acho que todo mundo é um aparelho de TV a cabo, e alguns são sim em HD. E todo mundo sai por aí procurando uma televisão, escolhendo a melhor marca, o melhor modelo. Quer aquele aparelho perfeito, que vai combinar com o ambiente e se encaixar perfeitamente no receptor digital. E olha, começou a me incomodar muito ver aquela televisão quebrada, ocupando um espaço enorme no meu quarto, no meu dia-a-dia.

Estranho pensar naquilo, naquela situação implícita bem diante dos meus olhos. Comecei a reparar os diversos modelos de televisão, nos diversos receptores de TV, e na verdade, ando reparando até na qualidade das imagens. É estranho pensar assim, parece meio vazio começar a comparar pessoas com aparelhos. Fui comentar isso com uma amiga, e ela me perguntou se eu havia me apaixonado por um cara em HDTV.

Na verdade, se depender da minha TV quebrada, e do meu aparelho desativado da Net, eu talvez tenha me apaixonado em preto e branco. Se eu pudesse comparar com um filme, seria um desses que passa na sessão da tarde. Isso se realmente me apaixonei um dia. Não considero isso desilusão, pelo contrário, isso se chama consciência.

Eu bem podia dizer que não mandei a TV concertar, porque não quero continuar usando uma televisão pequena e velha, enquanto eu não compro outra melhor. Sinceramente, eu nunca curti aquele ditado de “Quem não tem cão, caça com gato”. Se não tem cão não caça, ponto final. Mas eu já tenho tudo, e posso concertar a televisão.

Não estou dizendo que estou me contentando com uma televisão velha. Eu estou concertando o que eu tenho. E eu acho que é isso que a maioria das pessoas, principalmente mulheres, deveriam aprender. Ninguém precisa sair por aí no desespero, atrás de qualquer liquidação só pra ter uma imagem mais ou menos. Talvez a TV queimada tenha me mostrado muito mais coisas quando estragou, do que durante a sua vida útil.

Nesse momento vendo minha televisão 19 polegadas, passando um programa científico, em um dos canais com mais de três dígitos, eu me peguei feliz. Porque às vezes as coisas são mais simples do que a gente pensa. Não que eu tenha concertado sozinha, o fusível queimado da minha televisão. Mas agora a TV funciona, ela é minha, e eu não tenho que dividir o controle com ninguém. E vai ver, essa é a melhor parte.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Conhecida


Ela foi pelo caminho que escolheu, e não se importou com a distância. Mal se virou quando você disse que não iria, era mais fácil evitar as despedidas. Ela não queria que você a visse pela última vez, sem aquele brilho nos olhos que você criou.

As decisões pesaram na bagagem que ela carregava, e por mais que ela quisesse, não podia abandoná-las na primeira esquina. Voltar não era uma opção, certos caminhos, não têm volta. E ela seguiu com a esperança de que entroncamentos surgissem, e que um dia desvios fossem possíveis. Continuou em frente, como se a esperança do destino fosse mudar o final da trilha, criando um novo começo.

Cada vez que ela pensava em um final, as distâncias se tornavam menores. Ela teve medo quando deu as costas, teve medo no primeiro vento que sentiu no rosto, mas você tinha dito que ela tinha de ter menos medo das coisas. Menos medo do amor, menos medo da dor, menos medo do adeus. Porque as coisas que não podemos controlar dão medo.

E pela primeira vez ela sentiu o medo como parte de um todo, como parte de um início, ela sentiu que o medo era seu, e seguiria com ela. Ela sabia que ele vinha de mãos dadas com a saudade, que já começava a apertar o peito. E quando apertava, ela lembrava da sua voz em seu ouvido, dizendo pra não ter medo.

Ela fez escolhas, ela se despediu, ela foi pelo caminho que poderia trilhar sozinha. E ela sabia, que no fundo tinha a esperança de que o caminho a levasse de volta a você, mesmo sabendo que se ela voltasse você não estaria mais ali. E talvez ela nunca voltasse ali.

Entre todas as novidades, todas as pessoas, todos os desvios, todas as saudades, todas as lembranças, ela se esqueceu do medo que sentia. Ela já não tinha medo de te encontrar na próxima esquina, porque era ela. E porque ela, você não conhecia.