terça-feira, 12 de abril de 2011

Foi tudo?


Já faz tempo que deixei de te ver em cada esquina, que esqueci seu rosto entre os vários que achei. Esqueci a placa do seu carro, de tantas placas que olhei procurando a sua.

Não lembro mais qual é a sua música preferida, nem qual banda tocava. Parei de comer aquele doce de abacaxi que você adorava, até porque, nunca gostei de abacaxi. Não lembro mais o nome da sua rua, e esqueci o nome do bairro que sempre me confundia.

Esqueci o timbre da sua voz, e o cheiro do seu perfume. Apaguei seu número do telefone, que há certo tempo já tinha esquecido. Deixei as últimas coisas que me lembravam você no fundo de uma caixa, dentro do armário que nunca abro.

Mudei meu perfume, a cor do meu esmalte. Não uso mais a blusa que você gostava, nem faço minha cara engraçada que você pedia. Eu já consigo me olhar no espelho, e não lembrar de como era com você do meu lado. Fiz tudo, mudei tudo, e fiz o que falei que faria. Eu segui em frente.

E ainda procuro tudo o que esqueci. Só que agora o que eu procuro não tem nome, não tem cheiro, não toque, não tem definição. Apenas te procuro inconscientemente em cada abraço, em cada beijo. Por que você não está ali, por que eu não quero estar aqui.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Ela


Ela era o que todas queriam ter sido, o que todas viram um dia, e julgaram. Ela era o que poucos puderam entender. Poucos tiveram a coragem de se aproximar, e menos ainda de conhecê-la.

Se considerava pouco, perto do que queria, e muito, diante do que não a interessava. Ela podia passar como uma leve sensação de poder, mas podia te deixar perdido entre seus medos de se aproximar.

Ela chorava por amor, com seu rosto lindo, cheio de certeza que, por mais que doesse, ela ainda sabia o que queria. E seguia assim, por que sabia que uma hora, iria chorar de felicidade. E talvez, a causa fosse o fim do amor, que a assombrou por tempos. Ela não sabia como, só sabia que era assim.

E em cada olhar distante, ela encontra a vontade de deixar pra trás as coisas banais, por que acaba tudo ficando pequeno. E existem coisas que justificam escolhas, assim como existem fatos que justificam prioridades, mas ela sempre escolheu sem se justificar.

Mesmo com todas as certezas, ela sabia que seguiria fugindo. Porque o medo que sentiam dela era reflexo do medo, que ela sentia a cada olhar. A cada choro esquecido, a cada coração partido, que ela deixava para trás. Porque ela escolhia o próprio coração, sabendo que o amor ali, só iria saciar sua própria sede.

Ela era tudo o que desconhecia, tudo o que temia, tudo o que julgava. Ela era tudo o que escondia, era os vícios que descobriu, era a saudade que deixou. Ela sempre foi o ódio que surgiu, os amores que criou e as paixões que esqueceu.

Por que ela, ela é apenas uma mulher. Uma sombra de um corpo livre, que não se contenta em achar que apenas a felicidade é suficiente. Livre demais para você acreditar, que ela ainda estaria aqui quando acordasse.

domingo, 20 de março de 2011

Me olha


Seu olhar não diz, seu olhar não me têm, não me sente. Seu olhar me esquece entre as paredes de tinta descascada. Seu olhar me amedronta e me instiga. Seu olhar me quer, me procura, me perde enquanto eu tento encontrar.

Busco sentido no meio de um furacão de sensações, me perco como uma criança em uma loja de brinquedos. Me perco e não me acho, são muitos olhares, muitos sentidos. Por que você não deixa seu olhar dizer, chegar perto e mostrar o que quer?

Eu vou ouvir, eu vou querer, e vou poder ter. E vou poder me jogar do alto do meu penhasco de incertezas, e cair como se o vento no meu rosto fosse uma resposta. Nós estamos em um jogo, de poucas respostas e muitas perguntas, onde toda nossa conversa perde sentido quando acaba, mesmo sem ter chegado ao fim.

Tem algo que queria te dizer, mas me calei quando deveria ter dito. Vi você me olhar, e me perdi entre meus medos de assumir o que havia escondido de mim. Eu só quis seguir em frente, e deixar tudo pra trás.

Quando eu te disse que não era nada, você não deveria ter acreditado. Você já conhece meu medo de decisões. Então me olha, me sente, e me faça falar, como você sempre fez. Nada mudou, além do que não pode ser visto. O que havia antes continua lá, e continua simples como sempre foi. Tão simples, que me perco pensando onde pode chegar.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Realidade


Difícil agora é acordar, quando a realidade dos meus sonhos, traz uma felicidade que eu havia esquecido. Que eu tentei esquecer, colocando em cima, qualquer coisa boba que pudesse me arrancar um sorriso. Felicidade que eu quis esquecer, porque estava tudo triste demais sem você aqui.

Eu posso sentir o seu toque, a leveza dos seus dedos, descendo do meu pescoço até a minha nuca. Você me olhando como um pintor, que acerta os últimos detalhes de sua obra.

Sinto seu toque, enquanto escuto sua voz risonha, me lembrando mais uma vez, que você gosta do meu pescoço, e que poderia passar o dia olhando pra ele.

Posso sentir cada movimento do meu cabelo, quando você o balança, só para se lembrar de como gosta dele assim, curto. E eu ouço a minha risada de sempre. Te lembrando que não é a primeira vez que você me pergunta, se eles sempre foram assim.

A realidade que eu vejo, é aquela que você criou pra mim. Eu te perdi, ao deixar a sua realidade, me levar para onde eu não conseguiria chegar. Talvez porque nunca tenha havido uma realidade, ou talvez tenham existido várias, que se desencontraram no meio do caminho.

E a minha realidade ficou pra trás, quando me dei conta, que nunca deixei você me conhecer. Porque eu não te conhecia, porque eu não me conhecia. Ou porque a minha realidade estivesse simplesmente, muito distante da sua.

E hoje, o meu sonho termina quando abro os olhos. E vejo que meu cabelo cresceu, e meu pescoço continua o mesmo. E a minha realidade começa quando seus dedos já não estão mais aqui, e eu me lembro do que  deveria ter esquecido.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Semiótica afetiva

Entre todos os meus questionamentos existencialistas, eu solto no meio da aula de Semiótica, que o amor é assim. Que todo sofrimento das músicas sertanejas é justificável, quando se sofre por amor. Que o movimento cíclico, das voltas do coração, justifica as canções de corno, que não saem da nossa cabeça quando entram.

Não que eu seja a favor das músicas de corno, ou que eu ache normal cantar para a pessoa amada “voa beija flor”. Nada contra, mas beija flor não é o tipo de apelido carinhoso que pretendo pronunciar, muito menos ouvir. É só que pra mim, se tornou completamente compreensível a fuga da realidade, que nosso coração pode nos meter.

Talvez essa questão metafórica, esteja me tirando um pouco do sério. Por que eu ando tentando me olhar no espelho, e valorizar o signo que eu vejo. Valorizar o objeto, tentando com todas as minhas forças me aproximar da coisa inalcançável.

E eu me pego buscando a falta de sentido sem querer, desentendendo o que era certo, e fazendo do abstrato, a minha realidade. Por que eu descobri que nada é possível de ser descrito, de ser caracterizado ou explicado. Por que a definição deforma, e limita.

E agora, que todos acham que meus neurônios queimaram em uma dessas aulas pela manhã, eu me pego buscando sentidos. Compreendendo sentimentos, e esquecendo princípios. Talvez por ter cansado de me definir, por ter cansado de tentar definir tantas coisas indefiníveis.

Por que “eu te amo”, não é nada. O que eu sinto, não pode ser colocado em palavras. Por que o amor não existe, o sofrimento não existe. E a agonia que inunda meu peito, não pode ser definida como saudade, é muito pouco.

Porque os jogos de tarô, que tentam ajudar nessas horas, não são nada mais que um jogo de buraco, onde o palhaço virou coringa. E agora a minha busca por definição acabou. Que venham as reticências, que os beija-flores possam voar, sem alguém para se lamentar por isso.

Por que eu não vou me definir, nem definir você pra mim. Há muitas coisas, significados, signos e sinais envolvidos. E entre nós dois, o que menos quero é limitação. Por que quando eu acordar de manhã, não quero definir meu sonho. Só quero deixar que a semântica seja a realidade, enquanto a sintaxe não vem.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Diz que sim


Se eu te disser que te quero de volta, você volta? Se eu te disser que não importa o que passou, que te quero ainda mais. Você entende? Se eu tivesse feito tudo diferente, você ainda estava aqui?

Se no meio das minhas falas complexas, e confusas, eu conseguir fazer com que você entenda que eu quero. Você aceita? Se eu te disser que não precisa de muito, que eu me encaixo no seu tempo, e que eu guardo tempo pra você. Você fica?

Se eu disser que fiz tudo errado. Você concorda, mas me perdoa? Se eu engolir meu orgulho e te pedir amor, você me dá? Se eu passar por cima dos meus defeitos quando você pedir. Você pede? Se eu te quiser apesar dos seus defeitos, você permanece o mesmo do meu lado?

Se eu te chamar pra sair, você aceita? Se eu deixar meu coração falar mais alto que meu cérebro. Você me pede pra ser racional? Se eu aceitar que você não é só mais um, você me diz que eu estava errada?

Se eu te pedir pra dar notícia, você lembra? Se eu engolir meu orgulho, e te disser tudo o que eu sinto. Você escuta, e diz que sente o mesmo? Se eu disser que não gosto de padrões, você me faz acreditar em exceção?

Se eu disser que te ver de novo mexeu comigo, você diz que foi recíproco? Se eu não escutar os conselhos das minhas amigas, você jura que eu não vou quebrar a cara? Se eu disser que não quero muito, que quero só nós dois. Você vai querer o mesmo?

Se eu não for a mais legal das mulheres, você me faz sentir como se fosse? E se eu não for a mais bonita, você me olha como se eu fosse quase isso? Se eu disser que prefiro sua barba grande, você deixa crescer? Se eu só quiser dormir do seu lado, você jura que não ronca?

Se eu quiser ir ao cinema, você assiste comédia romântica? Se eu chorar, você olha pra mim como se meu olho inchado, ainda fosse lindo? Se eu continuar cabeça dura, você me chama de teimosa?

Se eu brigar, você me olha sorrindo, e me chama de brava? Se eu te chamar de idiota, você me chama de linda? Se eu disser que nossos signos não combinam, você muda o zodíaco?

Se eu disser demais, você me faz parar de falar? Se eu não disser nada, você entende que era isso tudo, o que eu queria ter dito? E se eu disser que isso é tudo pra você, você acredita?


domingo, 6 de fevereiro de 2011

Me disseram


E aí um dia me disseram, que o amor é bonito. Que ele não te completa, que ele se torna parte de você, uma parte que te aumenta. Que o amor é algo a mais, mais do que você achou que conseguiria.

E que o amor vai doer quando você menos quiser, mas toda dor vai fazer sentido. Me disseram também, que não há amor maior, ou menor, que apenas há amor. E que o amor correspondido, é a parte mais bonita disso tudo.

Me contaram que há começos que não permitem escolhas, e finais que tem de ser escolhidos. Mas que o amor é maior que o começo, e que o final.

E aí tentaram me explicar que há diferença entre amor e paixão, e que há diferença entre paixão e obsessão. E que uma hora a gente encontra o amor, mas antes vai passar pelas paixões e obsessões.

E enquanto eu ouvia, vendo todas as luzes da cidade na minha frente, eu tentava encontrar algum sentido naquilo tudo. Por que eu não vejo amores lindos, não vejo sentido na saudade, e não quero perder o controle das minhas escolhas. Mesmo estando diante da minha alma desesperada, por alguma solução.

E a dor das minhas paixões, que sempre ficam no estreito limiar da obsessão, aumentou. E doeu, como se o sentido de tudo, estivesse escondido entre os milhares de pontos luminosos que eu podia ver. E eu tentando ignorar qualquer sinal da ausência, da falta e da saudade de ouvir meu nome da sua boca. Por que há dor, e ela aumenta.

E no meio de todas as palavras que poderiam me convencer de que o amor é doce, eu me perdia. Pedindo para a estrela cadente que passou na hora, tirar a dor de lembrar seu nome.

E aí, me disseram que isso não é amor. Que esse desespero não é nada, e que ele não é infinito como parece. Me disseram que uma hora vai passar, e que eu vou olhar para as luzes da cidade como se cada ponto, fosse um sentido diferente. E quando eu amar, todas as luzes serão um único sentido. E aí , eu vou descobrir que eu nunca havia amado antes. E enquanto eu adormecia, eu acreditei, em tudo o que me disseram.