domingo, 10 de maio de 2015

Quando amor também cura



E um belo dia ela parou de escrever. As palavras já não se encaixavam, já não faziam sentido. Pra que sentido se tudo o que ela queria estava ali? O dia era realmente belo, era lindo, assim como os dias anteriores, e os que ainda estavam por vir. É que o amor não inspira, o amor te completa e as vezes te faz achar que nada mais é necessário. A verdade é que ela ficou boba, ela acreditou que era tudo.

Mas como dizem por aí, quanto maior o salto, maior o tombo. E mesmo o maior amor pode acabar. E os dias que eram tão lindos vão ficando feios, os sorrisos já não eram tão presentes, e o amor que estava ali vai morrendo. Como aquela flor linda, que ficava em cima da mesa, e agora já são apenas folhas secas.

É que o amor precisa ser cuidado, ser bem tratado, ser cultivado e reconquistado a cada dia. Quando já não há sentido ele se perde. Ele vai sumindo na rotina, nos dias. Ele some, e nem aquele frio na barriga da saudade existe mais. E aceitar que acabou é triste. Todo fim é triste.

Mas é da tristeza dela que vem a beleza, pois quando passa o sorriso é sempre mais bonito, mais sincero. Acontece que a realidade é simples, o amor, assim como a flor também morre, ambos podem se afogar. É que as vezes a gente peca no excesso. E amor demais não inspira, ele sufoca. E as vezes sufoca quem sente e quem é amado. Muito amor, muita saudade, muita necessidade, muita água. 

Tem gente que diz que só o tempo cura, outros fazem simpatia, viajam, saem para dançar. Mas talvez ela ainda deva ouvir os mais velhos, como disse sua avó; “amor com amor se cura”. Talvez a flor em cima da mesa precise ser trocada, talvez não. O desabrochar ainda depende de muitos fatores. Mas ela, ela voltou a escrever, porque sempre há amor, ele também cura.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Sobre deixar pra depois


Eu já vi o tempo passar demais, já te vi deixar tudo passar. Eu não fui acostumada com essa história de 'deixar para depois'. Sim, também acabo sempre deixando uma ou outra coisa pra mais tarde, mas sabe meu amor, eu também tenho prioridades. E eu nunca estive à frente da sua lista de coisas para fazer. O que me intriga e me faz te questionar é essa sua necessidade de aparecer. Aparecer quando te esqueço, quando já passou, quando surge outro pra me fazer sorrir. Ah, meu bem, nessa sua história de deixar o tempo passar, ele passou.

Eu não estou na sua vida. E eu segui, minha vida seguiu, e eu sei que você sabe e ainda acompanha de longe. Sei que tem notícias minhas pelos nossos amigos, sei que sente minha falta. Estranho né? Sei mais disso hoje do que antes quando te tinha comigo. Deve ser incômodo estar desse lado da moeda que você desconhecia, deve ser estranho me ver bem agora, mesmo sem estarmos lado a lado. Se é que um dia você esteve neste lugar.

Assim como antes, eu as vezes fico sabendo da sua vida também. E para quem deixa tudo para depois, muito me estranha que esse seu amigo ainda não tenha chegado na sua vida. O mesmo, é sempre isso que escuto. Deve ser um pouco entediante deixar as mudanças pra mais tarde, e tudo deve parecer sempre o mesmo. Os mesmos lugares, as mesmas novidades, as mesmas amizades. Mas as vezes até elas passam.

Desculpe escrever só agora pra te contar, acontece que eu passei. A vida passa, não era isso que você me dizia? Às vezes sinto falta, e lembro de você, sim. Passado deixa memória, e é ele que faz da gente o que a gente é. O que você não pensou é que talvez um dia você seria apenas isso, passado. É lá que você está, não se preocupe.

Poderia ter sido tudo diferente. Você devia ter tentando. Acontece que eu não vim com manual, e não vim com o bônus de mudanças. Nunca quis nem tentaria te mudar. Hoje tenho plena consciência que foi por isso que não deu certo, você não queria se encaixar. Ou talvez você quisesse tanto que a coisa não foi pra frente.

Meu amigo, posso te chamar assim? Só queria te contar uma coisa; não são nas suas noitadas que você vai achar uma mulher legal. Talvez até ache, mas a chance é mínima. Te ver com uma qualquer, que você acha depois do primeiro combo de bebida não me afeta.

O que vai doer vai ser quando você achar alguém que consiga o que eu não consegui. Te ter do meu lado, por completo, sem esse tanto de problemas que a gente criou no meio do caminho. Mas é que todo trajeto tem um destino, o que você não percebeu é que o nosso já chegou ao fim há muito tempo. 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Mais nada


Você acha bonito cair do céu assim? Você deve ter se machucado, meu anjo. Surgindo assim no meio da noite, como um super herói pra me resgatar no meio de tudo. Meu super herói. Que de repente entrou na minha vida, fazendo parte dos meus planos. Pois te digo que não acho certo, não mesmo. 

Deveria vir com um aviso. Uma bula avisando que superdosagem vicia. Você já sabe, foi avisado, e nesse meio tempo me conhece bem. Está entrando em território inimigo. Aqui o campo é minado, meu amigo. Depois de tantas bombas explodidas, as crateras também viraram armadilhas. 

Mas vem te dou a mão. Abro caminho e te ensino por onde é melhor chegar. Eu tenho medo, sempre tive. Fico com esse pé atrás, como se precisasse sempre me prevenir. Sei que por aí as coisas estão estranhas, já vi o arame farpado por trás desse sorriso malandro, que você abre pra me conquistar. 

Talvez eu te conheça bem mesmo, ou esteja indo no caminho certo. Mas me parece que você caiu do céu na hora certa. Como se as coisas tivessem o tempo certo pra acontecer. Eu tenho sido sua, e vou continuar sendo enquanto nossos países forem aliados. Enquanto você estiver do meu lado está tudo bem. 

Te deixo cuidar de mim, te deixo me ensinar a ser melhor. Te quero do meu lado, mesmo na sexta a noite com delivery de sanduíche e filme nacional na televisão. Te quero antes, durante e depois. Te quero agora, aqui. Te quero me chamando de chata e fresca. Te quero me contando sobre tudo. Te quero assim, apenas, mais nada.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Melhora marcada


E você chegou com esse jeito bobo, de rir de tudo o que eu faço. De rir do que me esqueci de fazer, e do que deixei pelo caminho. Com esse jeito de me fazer rir, e de fazer todo mundo rir de tudo. 

Chegou sendo o genro que minha mãe pediu a Deus. Chegou com esse seu jeito de conquistar a sogra antes, e a família inteira se estiver no pacote. 

Com esse jeito leve, de me levar aos poucos, de me conquistar tranquilo. Leve, como sua camiseta branca preferida, que é fresca mesmo nesse calor tropical. Esse jeito leve, de início de verão, em meio a uma ou outra cerveja gelada num domingo a tarde. 

Veio com o que eu não gosto, mas posso aceitar. Me provando que toda ferida cicatriza, e se não há remédio, tem dedicação e cura na dispensa. Trouxe na mala o desconhecido que eu esperava. Aos poucos me mostrando, que o melhor do encontro, é a procura. 

Chegou como quem não quer nada, como quem já tinha certeza de tudo. Me levando na brincadeira, e eu resolvi brincar. Chegou deixando saudade, e me deixou pedindo ao tempo, pra passar logo, e você voltar. 

Entre e seja bem vindo. A casa é sua, afinal. Entra e deixa a porta meio aberta, que é para o vento entrar. Deixa o ar correr, o tempo passar. Esquece o sofá, que nosso travesseiro te espera, junto com todas as promessas que vem por aí. Entra, meu anjo, que eu estava te esperando.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Seu tipinho


Já sai na ponta do pé, e não quis que me ligassem nunca mais. Já não quis que fossem embora, e senti saudade no dia seguinte. Eu já fui cheia de noites vazias, descompromissadas, que me renderam muitas histórias. Eu sou assim quando quero, não sabia? 

Já sair pra me divertir com minhas amigas, sem precisar ‘caçar’. Mas eu já cacei, é claro. Já cacei e já fui caçada, já fui presa e caçador. E assim como você, já fui vazia. Vazia várias vezes. Nas várias ressacas que eu tive, que nem a memória me sobrou. 

Eu posso ser várias em uma só. Posso muito bem ser aquele tipinho mulher que você sempre procura nas baladas, entre uma noite perdida ou outra. Eu posso ser o que eu quiser, pra quem eu quiser. Ou você acha que eu nunca fingi cair em conversa de tipinhos como você, que estão aos montes por aí?

Ah, meu bem. Se você soubesse quantos desamores eu já esqueci com álcool. E quantas vezes eu acabei me lembrando deles, junto com a dor de cabeça, no dia seguinte. Se você soubesse, quantos amores eu já tive da mesma maneira, e nem me lembrei deles quando acordei. 

Parece vazio, não é? Mas eu tenho bem mais pra contar, bem mais pra conhecer, e bem mais pra esquecer. Isso é só parte de mim, e é por isso que eu escolho. Por isso eu procuro, e eu me encontro. E posso me encontrar perdida por ai, ou em um lugar qualquer querendo apenas me distrair. Mas isso não é tudo.

Não sou do tipo que vai falar do relacionamento que já tive, ou do que quero ter. Do valor das mãos dadas, do cafuné durante a noite, de dormir de conchinha. Não vou falar do quanto é bom um chocolate quente pela manhã, ou da saudade de lavar uma pia de louça, quando só de ter alguém do meu lado pra secá-las, bastava.

Eu não vou comentar do meu último amor, nem do meu último namoro. Não vou te dizer há quanto tempo estou solteira, e contar os muitos casos vergonhosos que já tive nesse período. Não sou do tipo que sai por aí mostrando a balada da última semana, a próxima, e a do mês que vem que já comprei ingresso. Não vou te contar essas coisas, por mais que você possa passar horas falando sobre isso.

Tem horas que a gente vê que não dá certo, que não vale se adaptar que não vale procurar ou tentar esquecer. E tem hora que a gente vê que tem muito mais coisas novas por aí. Eu posso ser certa, mas também posso ser errada. Eu sou um pouco Tati Bernardi, sou dessas belas que de vez em quando insiste no burro, e acaba um pouco burra também. Mas sabe o que acontece? É que no fundo, eu não sou mesmo o seu tipinho.

domingo, 16 de setembro de 2012

Geração WhatsApp?



E aí, eu me pego um pouco cansada, sim, confesso. Cansada. Cansada de você, e de todo mundo que me cerca sem nem estar por perto. Cansada dessa coisa, que chamam de aproximação, mas que hoje eu só vejo como distanciamento.

To cansada de gente como você, que pela comodidade de ser próximo, esquece que o próximo é estar perto. Cansada de amigos, que como você, acham que saber a última vez que visualizei uma conversa, conta um pouco mais sobre meu dia.

É fácil, muito fácil deduzir que se a pessoa estava acordada de madrugada é que ela foi pra balada, se acabou, saiu com aquele amigo que ninguém gosta. E no fim foi tudo ótimo, afinal, ela foi dormir quase cinco da manhã, certo? Ninguém pensou que ela pode ter passado mal. Ter ficado estudando a noite inteira, ou até mesmo ter cuidado do amigo bêbado porque, afinal, a balada nem foi tão boa assim.

Sabe, a gente estava tão distante que eu cansei. Cansei de toda a sua disponibilidade, de toda a minha “proximidade”. Toda essa intimidade que você deduzia por um “Avaiable”, que aparecia a cada toque meu, nessa telinha maldita, que vive do meu lado.

Eu posso não estar bem, ou posso estar ótima. Posso estar cheia de novidades pra contar, mas sabe, eu tenho muitos contatos. Tantos, que de vez em quando eu posso ver sua mensagem e esquecer-me de responder. Desculpe, isso não te tornou menos importante pra mim. Chame de indiferença, como quiser, se for urgente, pode me ligar.

Engraçado né? Acho que agora eu não estou disponível, não estou conectada. Agora eu estou assim, distante de todos e mais perto de mim. De nada adianta amor inventando, amizade largada, saudade disfarçada. Não adianta mais me enganar com essa história, a gente se aproxima de quem quer, e também se distancia. Se você sentir minha falta, acostume-se, ou me ligue. Quem sabe a gente toma um café um dia desses?

quarta-feira, 30 de maio de 2012

O que você não soube





Eu vi que seu aniversário acabou de passar, e eu me lembrei de todos os planos e surpresas que eu tinha em mente há certo tempo atrás. E deixei passar enquanto meu subconsciente inventava todas as desculpas para esconder o dia em que eu estava. 

O destino fez sua parte e colocou todas as pessoas maravilhosas que tenho na vida perto de mim, e muitas delas eu conheci quando você se foi. Difícil dizer, mas tenho saudades. Eu tenho sim, e queria te escrever porque toda essa distância me incomoda.

Queria nossa amizade de volta, queria te contar coisas banais, sentir sua presença mesmo que só na preocupação distante. Queria você de volta, a gente como era antes como nunca deveria ter deixado de ser.

Me desculpe pelos meus erros que eu te disse que aconteceriam. Você sabe, eu sou assim, meio que completamente errada. Não acho que eu tenha te amado, nem que eu te ame, talvez isso tenha sido um problema pra você. Eu e toda essa minha descrença nas coisas.

Eu pensei em você antes, durante e depois. E não queria que você soubesse disso. Mas eu te amo, e sinto sua falta. Queria te ver feliz e estar por perto, porque você faz falta na minha felicidade.

Só queria estar ao seu lado de novo, tendo certeza que sua felicidade me faria feliz. Parabéns, te amo e te quero. Você faz falta na minha vida, e apesar de tudo, eu sinto sua falta nas coisas simples. Nos pequenos momentos em que você era o meu ‘Eu’ fora de mim. 

Feliz aniversário. No fundo eu te amo tanto que só quero que você esteja feliz, e que a minha falta não exista para estragar sua felicidade ontem, hoje e em todos os dias que estão por vir.

sábado, 3 de março de 2012

Nana-nina-não





Esses dias aprendi o valor do não. Todo mundo defende essa idéia de liberdade, de poder aceitar as coisas, poder fazer as coisas, se jogar, se deixar levar. 

E todos se esquecem que o poder de escolha traz junto a negação, o poder de olhar pras coisas e negá-las sem justificativa, sem razão aparente e sem a mínima necessidade de uma explicação.

Liberdade é você com você. É acertar as contas com o espelho. É dizer pra você mesmo o que fazer, quando, onde, como e com quem. Você decide ninguém mais.

A gente fica se justificando tanto pelos erros, pelas coisas que fez. E acaba se esquecendo que não fazer, não precisa ser justificado. Deixa as coisas leves, como que levadas numa boa, do jeito que você quis. Por que em certa hora você NÃO quis sair, NÃO quis comer, NÃO quis deixar suas séries de lado por alguém que não valia a pena.

Um não bem dado vale muito mais que vários “sins” distribuídos no calor da emoção. Vale muito mais que aqueles “sins” que no dia seguinte não fizeram sentido algum.

Do tipo “Pra que comi aquele cup cake enorme ontem? Podia não ter comido”. E sabe, se lembrar de não ter comido o cup cake dá uma força, um poder, uma vontade de gritar pro mundo “Ei, sou forte e você?”.

O não está ai pra ser usado, o mesmo tanto, ou mais que o sim. O ‘não’ não veio pra limitar, pra negar, pra te privar. Ele veio pra libertar, pra dar poder, pra deixar a gente decidir, escolher. As vezes dizer ‘não’ é dizer ‘SIM' pra felicidade, a gente só se esquece disso.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Felicidade egoísta


Eu sou dona de mim mesma, muito mais dona do que achei que seria. Sou tão dona de mim que chego a me perguntar se isto é certo, se eu não deveria fazer algo semelhante à uma reforma agrária interna, dividir em pequenos pedaços minhas felicidades, para que outros pudessem aproveitar também. Por que afinal, eu resolvi viver para isso.

Talvez algumas pessoas tenham direito a me ter. Por que não? Quando foi que me tornei tão egoísta a ponto de não me dividir, de colocar minhas questões, minhas prioridades na frente de qualquer coisa?

Cheguei a um ponto de acreditar que não amaria mais, que o amor me fez sofrer tanto que ele acabaria por ali, e eu não deixaria mais ele aparecer sem avisar. Resolvi que minha felicidade não seria atrapalhada por nada, e eu me senti vazia. Como se não amar, me tornasse tão detestável a ponto de eu mesma não me suportar.

Quando fiz isso descobri que minha felicidade é a coisa mais importante que existe, sim. E eu decidi que meu amor seria tão detestável quanto eu, seria seletivo, e chato. Por que é a minha felicidade não é egoísta. Minha felicidade está na felicidade de quem amo, e é isso que não me faz ser insuportável, muito menos egoísta.

Sou feliz de ver amigos realizados, sou feliz de acertar o presente para minha mãe, sou feliz de enfrentar horas na fila apenas para minha sobrinha ter a foto com Papai Noel. Na hora que minha felicidade está fora de mim, eu me sinto completa. Me sinto perfeitamente justa diante do meu ‘egoísmo’. Por que no fundo todos nós somos assim. É claro que uma hora você tem que pensar em você, no que você quer fazer, e não no que os outros querem que você faça, mas isso não te faz uma pessoa pior.

E em certo momento você vê que no fundo os clichês sobre amor e felicidade têm quase sempre razão. O amor alimenta a alma, o coração. É sempre o amor mesmo que bobo, mesmo que esquecido, mesmo que sem razão.

Por que amor não é só paixão, amor não é só sofrimento, amor não é só saudade. Amor é tudo em uma coisa só, mas dividido em milhões de partes. Por que amor é tão simples que se torna complexo. Amor é tão detestável que se torna atraente. Mais ainda, ele se torna essencial para que se seja digno da chamada felicidade.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Desencontro marcado



E de repente eu me vi te olhando, entre nós, somente aquela rua estreita. E eu te vi, me olhando como antes, como sempre, como nunca deixou de ser. E enquanto eu te via eu lembrava daquele tempo, que só de ter suas mãos com as minhas eu já me alegrava. Porque eu podia saltitar ao seu lado, como num filme idiota de romance.

Eu te vi diferente, com ela você estava diferente. E apesar de tudo o que sei, tudo o que eu mudei nos últimos tempos, eu me senti como antes, como se tudo ainda fosse igual. Era você, eu e aquela maldita rua entre nós. Eu só queria saber quando surgiu isso, quando acabou, quando a gente deixou a vida decidir que era melhor sermos só amigos.

Ainda tenho vontade de te ligar, de sair pra comer alguma coisa, ou ver um filme em uma noite tediosa durante a semana. E quando a rua surgiu, é a parte que eu ainda não entendi. E eu ainda me pergunto o que você sabe? O que você pensa? Por que eu ainda tentaria, recuperar todo o final? Aquele final, perdido entre esquinas, de ruas estreitas e desconhecidas.

Eu te amava sabia? Só não queria assumir isso antes, depois ou mais tarde. Eu sinto que cada palavra que digo não irá alcançar lugar algum, como se a ligação que eu insisto em não fazer ainda me calasse.

Por que eu fui tão idiota ao seu lado? Por que parecia que sua voz derretia alguma parte dos meus neurônios? Eu sinto apenas que tudo o que eu preciso é te ouvir chegar e me chamar baixinho perto do meu ouvido, como se as coisas fossem as mesmas de tempos atrás.

Eu só queria que tudo voltasse, e que te ter ao meu lado fosse permitido. Queria ser sua quando você quisesse, assim como um vinho que te espera durante a semana para descontrair. Eu te queria aqui, do meu lado agora, me dizendo todas aquelas bobagens de signos que me fazem virar uma pré-adolescente do seu lado. Queria ouvir suas ladainhas pra me convencer, que sempre me convenceram.

Eu queria ser menos idiota insegura do seu lado. Eu poderia ir aonde você quisesse, onde eu quisesse ir com você. Sabe, eu já acho que não tenho medo, eu me esqueci do que me deixou perdida, na verdade só queria me perder com você. Eu me perderia em qualquer lugar, até mesmo naquela maldita rua escura que estava entre a gente, só para ver até onde ela pode chegar.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Exigência


E aí surge aquela vontade de tentar, de ir atrás e ver o que acontece, sendo que no fundo ainda há a certeza, uma “Vozinha”, baixinha que diz; “Você vai quebrar a cara”. Aquela voz baixa, que insiste em dizer o que suas amigas falariam, se você colocasse todas as suas idéias para fora.

Acho que nossa memória tem um dispositivo para nos proteger do nosso passado. Um botãozinho que é acionado quando as lembranças doem demais quando passam por nossa mente. E uma hora a dor diminui e a gente começa a se esquecer o que fez as coisas serem como são.

A gente esquece as brigas, os choros, os desesperos e os porquês. E começamos a querer tentar de novo, e de novo, e de novo. Acho que isso se chama esperança.

O problema não é ter esperança, o problema é se esquecer do que te fez perdê-la um dia. Uma hora temos que encarar nossos erros, nossas vontades e deixar certas coisas pra trás. Nunca é fácil, encarar, separar o joio do trigo e decidir: “Vou por esse caminho, e não por este”.

Sempre tive mania de me envolver com caras que não tinham muito a ver comigo. Um não gostava de sushi, o outro detestava comédias românticas, um odiava meu vício por Coca-cola, e tinha um outro que odiava as minhas séries. E ainda teve um que no terceiro encontro já me disse que não queria casar, que seu último namoro tinha sido péssimo, e que sua próxima viagem seria para um campo de guerra. É claro que nenhum deu certo, mas eu insisti, eu tentei, fui até onde não havia mais a chamada esperança.

E quando a esperança acabava, eu me conformava, e lembrava que desde o começo minha “Vozinha” já sabia que não daria certo. Sim, eles tinham qualidades, mas eu sabia que os defeitos uma hora iriam superá-las.

Chega uma hora que você se dá conta que as coisas têm seu caminho, mas que você ainda é responsável pelas suas escolhas, e pelos caminhos a serem seguidos. Talvez eu tenha começado a ser mais radical, ou não. É só que agora logo no começo dou muito mais ouvidos à minha própria “Vozinha” quando ela diz; “Você vai quebrar a cara”.

É ela que me lembra meus porquês, minhas histórias e todas aquelas coisinhas que eu insisto em esquecer quando a esperança surge diante de um sorriso bonito, ou um cara encantador. E a minha “Vozinha” agora tem companhia, o nome dela é Exigência.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Pé na bunda


E nesses dias que você sai de casa e resolve não pensar em nada, é quando parece que o mundo gira, querendo fazer você lembrar, pensar, repensar e questionar. Naqueles dias que você já cansou de rever seus problemas, sempre tem alguém que vem te mostrar que existe coisa pior, ou melhor, acontecendo por aí.

Em um desses dias entre o café corrido no meio da tarde a amiga liga e você larga o expresso pela metade, para um encontro as pressas, por que às vezes o problema é sério. Tem hora que as coisas acontecem sem você prever, não era um acidente, por sorte não fui encontrar a amiga desesperada no pronto-socorro.

Não posso dizer que estava tudo bem. Encontrei ela de moletom, blusa do Pato Donald’s dentro de casa, com as janelas fechadas. Uma receita de brigadeiro, restos de delivery pela casa, isso sem contar nos seis DVD’s atrasados em cima da mesa da sala.

Nesse momento eu era a realidade, dando três soquinhos na porta antes de encontrar o buraco que ela havia se enfiado. E a realidade é rápida, quando você vê ela já chegou, sentou do seu lado e resolveu que dali não saía mais. E ali eu era a realidade, não a faxineira. Com uma colher de brigadeiro me sentei no sofá e resolvi saber o que aconteceu.

É que o amor decepciona, e às vezes a decepção vem com bônus, o bônus surpresa. Eu não estava ouvindo sobre um namorado de três anos, que terminou tudo pra ficar com a vizinha, mas do ex de três anos que cansou, virou as costas e seguiu em frente.

Tem hora que o amor acaba, é normal. E também é normal que o amor continue, porque relacionamento é composto por duas pessoas, o que uma sente não determina o que a outra sente ou deixa de sentir. E quando o amor fica desamparado, sem rumo, perdido em meio à casa fechada com delivery, brigadeiro e comédias românticas o amor vira desespero. Ele vira obsessão, saudade, e ele vira dor.

É porque o pé na bunda dói, ora! Dói sim, e não dói só na bunda dói na cabeça, na testa enrugada, no olho inchado. Dói dentro do peito, como se você infartasse no meio da comédia romântica. E a dor ainda reflete no espelho, nas roupas, no sapato, no salto que você não quer mais usar. Dói em cada vez que você quer gritar com a cara enfiada em um travesseiro. Foi difícil dizer, mas ia continuar doendo, por um bom tempo.

Eu acompanhei o brigadeiro, mas decidi que não ficaríamos alí. Saímos, tomamos um café, que se estendeu para uma cerveja, e uma posterior balada. Ela não encontrou o príncipe encantado naquela noite, nem nas várias que se repetiram. E aquela não foi a única vez que o brigadeiro nos uniu.

São coisas naturais, como a gravidade faz você ficar preso ao chão, como o álcool prejudicar a sua memória da noite passada. É natural que um dia, por acaso, você sofra por amor. E queira sumir dentro de casa, enfiada no meio de roupas velhas e filmes sem sentido. 

Mas a realidade é que uma hora passa, a dor diminui e o brigadeiro entre amigas, vira desculpa pra conversas, risos e diversão. E na hora que passa, o que antes representava dor vira sinônimo de amor e felicidade. Clichê, mas verdade.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Esquecida


Ela havia se esquecido de pensar.Há muito tempo não pensava, simplesmente não queria. Pensar pra que se jurava já ter tudo que queria?

Esqueceu de lembrar do médico, do trabalho, do compromisso, da irritação. Não pensava, nem nela, nem nos outros. Seguia, sem pensar. Deixou de lado o que antes importava, e passou a pensar no que achava importante agora.

Iria seguir buscando a felicidade, não importa qual fosse. Buscava a felicidade nos outros, e não nela mesma. Achava que um namorado faria a diferença, e se um não fez, por que não tentar com mais dois ou três?

Continuava se esquecendo, se esquecia da beleza, enquanto se escondia atrás de corretivos, blush e óculos escuros. Ligava sempre o som no máximo, pra não lembrar de pensar enquanto passava pela rua que havia morado, ou pela rua que passou no dia que decidiu parar de pensar.

Esquecia carteira, celular, bolsa, cartões, onde quer que fosse. Esqueceu seu coração em alguma esquina quando quis beber pra esquecer. Esqueceu quem era junto com o celular, no banco de uma boate qualquer.

Ela simplesmente já não lembrava, que podia ser feliz por ela mesma. Esqueceu que tinha tudo pra sorrir mas preferia não lembrar. Ela já tinha medo de sorrir.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Independente



Não preciso de um homem para carregar o lixo, levar as compras, me viro muito bem quando isso precisa ser feito. Não preciso de um homem que me leve aos lugares, tenho carro e sei muito bem me virar sozinha. 

Claro que é mais fácil ter um homem alto, disponível para trocar a lâmpada. Mas não há problema em arrastar a cadeira, e num simples movimento de parafuso, colocar a lâmpada nova em seu devido lugar.

Atualmente mulheres independentes assustam, homens se sentem meninos. Existem aqueles que não ligam, mas ainda há aqueles que se incomodam em ser deixados em casa. E ainda há mulheres que não querem esse papel.

Ora, existe o equilíbrio, e ele deve ser seguido. Não é que ser independente significa depressão, solidão ou estar encalhada. As coisas são complicadas, e muito simples, existe a opção.

Relacionamentos não são baseados em dependência, carência. Relacionamentos são opcionais, compartilhados, recíprocos. E se um relacionamento não é o que você procura, é melhor ficar sozinho.

É claro que às vezes bate aquela solidão, uma saudade que não tem de quem, é só saudade de querer estar junto. Mas estar junto por estar, não vale. Saudade de poder deixar o carro em casa e ser levada na farmácia. De deixar de ir pra balada por causa de uma vontade repentina de ir ao cinema.

Saudade de colo e de cafuné, de frio na barriga e de sentir saudade. Não é que a solidão seja um problema, até mesmo em relacionamentos ela é necessária. A individualidade costuma ser desvalorizada, esquecida e rejeitada.

É uma delícia escolher passar uma sexta-feira a noite vendo séries, debaixo das cobertas e comendo pipoca. Ainda mais quando você escolhe a série, o fondor da pipoca e usa a sua coberta velha. Mas é como já diz a música, é que um carinho às vezes faz bem.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Silêncio



Você foi como quem tem hora pra partir, como o vizinho apressado que não espera a senhora do segundo andar, na hora de entrar no elevador. Foi rápido, com pressa, sem olhar pra trás, enquanto estava muito concentrado nos obstáculos que deveria desviar.

Podia ser mais fácil, a distância que criamos é maior que a realidade. Pegar o carro, andar um ou dois quarteirões, parar na sua porta e buzinar. Fazer um escândalo, acordar vizinhos, só para você chegar na janela e me chamar de idiota, mas descer correndo pra me dar um beijo.

Sim, podia ser fácil, podia ser simples, podia ser real. Como no dia que vi você me olhando e dizendo que sentiu saudade, sem reação eu não disse que também senti. Não aproveitei seu abraço, nem o seu beijo eufórico. 

Me calei e sorri, como se aquilo não fosse nada. Como se por dentro não houvesse uma vontade enorme de te pedir pra ficar mais um pouco, por que eu não queria que a saudade voltasse.

Você me ligou quando eu já não esperava, quando aquela última esperança já havia sido encoberta pela saudade amargurada. Era tarde demais, a vontade se virou contra mim, e resolveu deixar claro que a vontade única não funciona.

Não adiantava querer todos os dias, sentir saudade, esperar o telefone tocar enquanto ele não toca. As coisas teriam que fluir, acontecer, e não deixar-nos enlouquecidos para que aconteça logo.

E na hora que eu sinto vontade de ir até a sua porta, fazer qualquer coisa, um escândalo que seja. Percebo que nem coragem para te ligar eu tenho. Que eu te espero, te quero, e sinto saudade, e que você nem sabe.

E as coisas seguem assim complicadas, e completamente simples. Por que o telefone está ali, com seu número. E agora, eu prefiro que fique assim. Não quero ser sua opção, nem te ter como opção para uma noite tediosa. Deixa a distância entre nós dois calar os murmurinhos da saudade, enquanto o silêncio do tempo me deixa te esquecer.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Hora errada


Muitas vezes a gente se pergunta por que as coisas foram assim, propõe hipóteses, cria empecilhos e arruma uma justificativa qualquer para a dúvida que fica no ar. Por que às vezes as coisas não acontecem do jeito que a gente quer, fogem do controle e acabam.

Imprevistos, o velho mau do mundo pós-moderno, moderno, capitalista ou pré-histórico. O mundo tem sua lei própria, incontrolável e inexplicável, por que a gente nunca sabe mesmo a hora que as coisas vão acontecer, ou acabar.

Outro dia vi um filme que a protagonista comia a sobremesa antes do jantar, pelo simples fato de ela não ter garantia nenhuma de que estaria viva para o tão esperado doce. E nesse meio tempo eu me lembrei da minha mania de sempre deixar as coisas boas para o final, mas a gente nunca sabe quando o final vai chegar.

Coisas imprevisíveis, sim, imprevisíveis. Você nunca sabe quando vai aparecer alguém bom na sua vida, que vai te fazer melhor, que vai ser parte de você. Você sabe menos ainda quando isso vai acabar, quando a pessoa vai embora. Pior é ver isso em alguém e não ser a pessoa certa, por que tudo tem sua hora certa.

Uma amiga me disse que tinha encontrado sua alma gêmea, um cara que a completava. Tinham os mesmos gostos, curtiam cada momento juntos, podiam passar horas, dias conversando e se divertindo só pela companhia um do outro. Mas não deu certo, e quando eu perguntei por que, ela disse com uma voz de quem entendeu o que tinha acontecido. Eles simplesmente não se apaixonaram.

Por que as coisas são assim, elas tem o tempo certo, e às vezes elas só não tem que acontecer. Um dia o cara some, você some, as vidas seguem e as coisas continuam. Talvez você não esteja esperando quando “O” cara certo aparecer, e talvez você só se dê conta disso quando já tiver acontecido. São muitos “talvez” que nós mulheres resolvemos usar para justificar a ordem natural das coisas.

Talvez ele te ligue amanhã, talvez ele não te ligue. Talvez você suma, talvez ele apareça. Talvez ele não fosse o cara certo, talvez você fosse pouco demais pra ele. Talvez você fosse muito, talvez ele tenha achado que você sumiu. Talvez dê certo um dia, talvez não era para dar certo. Afinal, talvez as coisas tivessem que ser assim.

Por que na maioria dos casos, só não era “A” hora certa. Ele não te usou, não te esqueceu, não te achou chata, nem pouco pra ele. Por que a hora errada não é uma ligação tarde da noite, ou a falta dela. A hora errada é o ponto final que elimina os “talvez”. E faz com que você entenda que uma hora, a hora errada fica certa.

domingo, 7 de agosto de 2011

Sinto falta


Esses dias eu senti sua falta, como sempre sinto. Quis te ligar e te contar da última festa que fui e tocou nossa música, e eu dancei como se você estivesse ali comigo. Ficou vazio, mas era você ali, ainda que presente só no refrão viciante da melodia.

Eu iria te falar dos meus últimos amores, das minhas novas amigas, das descobertas e das saudades. Queria sentar e tomar uma cerveja, por que eu sabia que só a sua presença já me completaria. E seus conselhos que como um mantra eu ainda repito, me fizeram falta.

Aos poucos deixei algumas palavras serem esquecidas, suas últimas falas tristes não existem mais. Ficou sua felicidade, minha felicidade ao seu lado, por que nessas horas é o que fica. E eu ainda tenho seus óculos na minha caixa de coisas boas, tenho suas cartas, tenho nossas histórias, e são elas que me fazem o que eu sou.

Tenho a saudade, que às vezes vem bater mais forte. Ainda não sei ao certo quanto tempo dura a saudade, na verdade eu sei, mas a saudade me incomoda muito para que eu queira remoer.

Ainda olho as fotos quando quero ouvir sua voz, e eu leio o que te escrevi e não mandei, e dói bem lá fundo. A gente era tão igual, que sinto o vazio como uma parte que me completa. E agradeço por cada momento que ainda posso chamar de meu.

Eu quis te escrever, e quis apagar cada palavra como se ela não fosse capaz de dizer tudo o que eu estava pensando. E eu comecei a me perguntar se as coisas precisam ser ditas. Eu nunca te disse tudo, você sabia sem eu dizer, e isso sempre me bastou.

Não gosto de pensar na gente como almas gêmeas, metades que se completam. Éramos tão iguais que chegava a ser previsível cada atitude sua, cada risada, cada briga, cada pedido de desculpas em meio as nossas madrugadas.

Eu sinto sua falta a cada dia, a cada hora, em cada lugar, em cada amigo seu que encontro despercebido em alguma esquina. E eu me sinto previsível e chata por pensar tanto em você, mas agradeço, por ter tido cada momento.

Queria apenas te contar as coisas banais do meu dia, e saber que você ouviu tudo, entendeu e me falou as poucas verdades que eu precisava ouvir. Acho que fiquei mais boba sem você, mais chata e sem chão, mas essas coisas eu não posso evitar.

Você não se foi, eu ainda insisto em achar que não te deixei ir. E acho que é em vão cada palavra que falo, escrevo e digo. Sei que você está aqui comigo, mais do que quando estava de verdade.

Ainda leio signos, e sinto plena antipatia por Libra, mas tenho tentado ser tolerante. Você fez de mim o que eu sou hoje, e sei que eu não fui pouco pra você em vida.

Eu ainda te amo. Eu sempre te amei, e sempre vou te amar. Essa não vai ser a primeira, nem a última das cartas bobas que te escrevo e não entrego. É que às vezes é difícil esconder a dor quando as lágrimas me rasgam por dentro.

E quando eu me sinto boba, muito piranha, ou muito triste, escuto você me xingando. Me mandando parar com isso, que sou ariana e mereço mais do que tenho de verdade. Estou com saudades, e isso me deixa sentimental, não fique bravo. É só que nossa música acabou de tocar, e eu quis com todas as forças te ligar. Ok?

sábado, 30 de julho de 2011

Reencontro (II)

(Continuando...)

Seu corpo já começava a doer de tanto ficar na mesma posição, entre uma virada e outra pela cama ela despertava aos poucos. E enquanto despertava, tentava se lembrar da seqüência dos fatos. Primeiro não tinha nada para fazer em pleno sábado a noite, já na terceira vez em que relia sua agenda de contatos, enquanto atendia uma amiga que outra que a procurava para saber desde aonde ir até a roupa que deveria vestir, uma ligação que salvou sua noite. Ela ainda estava se questionando se havia salvado ou terminado de destruir.

Não o via a três meses, desde que seu medo por se envolver a levou a terminar algo que ela nem mesmo deixou começar. Ele continuava o mesmo, o cabelo levemente despenteado entre os cachos cor de mel, a barba por fazer era algo que ela preferia não lembrar muito, ele mudara de perfume, mas era melhor, a fazia sentir-se começando, e não reencontrando. 

Não se cumprimentaram tão carinhosamente como de costume, mas isso ela já esperava, afinal três meses naquele caso, tinha sido muito tempo. As conversas foram calorosas, misturavam as novidades dele com as dela, não havia nada de romântico, pareciam velhos amigos a colocar o papo em dia, e no fundo ela sabia que era isso. 

Pediram a sobremesa, enquanto ele contava do último final de semana que foi para a cachoeira, que haviam ido juntos. Ela não queria ir embora, mas não discutiu quando ele pegou o caminho da sua casa. Apesar das conversas calorosas, o beijo foi frio, não havia a paixão de antes, pelo menos da parte dela. Ele brincou se ela não o convidaria para subir, ambos sabiam que era brincadeira, e ela não tentou disfarçar. 

Subiu no elevador na esperança de uma chamada não atendida ou uma nova mensagem, deixou o celular em casa de propósito. No fundo já sabia que não haveria nada, o orgulho dele, chegava a ser maior que o dela. Preferiu tomar um banho, aquele perfume que ficou na sua blusa, agora causava enjôo. Arrumou sua cama, pegou a água, ainda ligou a tv, mesmo sabendo que ás três da manha não haveria nada de interessante passando. 

Enfim, resolveu olhar o celular, nada. Ela já sabia, não se surpreendeu e achava melhor assim. De novo seu medo era maior que o que sentia. Escondia de si mesma a esperança que o telefone ainda tocasse, e que a história que ela havia acabado de reviver, não se repetisse. E ainda se conformou quando pensou que esperaria ele ligar, daqui alguns meses, para um reencontro.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Reencontro

Resolveu que a encontraria de novo depois de voltar na cachoeira que estiveram juntos. Tinha ido acompanhado, e parecia estar em um lugar diferente. Sentiu falta dela, de sua risada. Lembrou das suas piadas sem graça, mas que a faziam rir, e isso o fazia bem. Ele sabia que já sentia falta havia algum tempo, só não tinha tido coragem de ligar. Era sábado a noite, mas decidiu que tentaria, ela já deveria estar pronta para sair, apenas escolhendo em qual festa ir. Resolveu ligar, se arriscar.

Surpreendeu-se ao desligar o telefone já com a hora marcada para pegá-la. Tinha que pensar um pouco mais rápido que de costume. Com todas as outras era mais fácil, com ela não, ele pensava até na hora de passar o perfume. Pegou um novo, ela não comentou. Surpreendeu-se mais uma vez, achou que ela reclamaria já que gostava tanto do antigo.

Ela estava linda como sempre, mas o olhava diferente, sentia que ela estava distante mesmo enquanto a ouvia contando todas as novidades de sua vida. Ele sabia que ela não contara o mais importante, quem era o dono daquele brilho no olhar que ele conhecia bem. Não propôs nada quando sairam do restaurante, ele não queria mais se machucar. No fundo sabia que se veriam de novo, mas preferia assim, aquela noite já chegava a seu fim.

A conversa continuou no caminho pra casa. Despediram-se com um beijo, era o mesmo beijo, sentia-se como se estivesse voltando no tempo, mas estava diferente. Ela estava novamente apaixonada dessa vez não por ele, tinha de aceitar isso. Três meses haviam sido mais tempo do que ele pensara.

Enquanto o portão se fechava, ela não se esqueceu de dar tchau. E ele ficou com a certeza, de que só poderia desejar mais sorte do que ele havia tido, para o cara que estava no lugar que ele havia estado antes.

(Continua...)

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Relacionar


Re.la.ci.o.nar (lat relatiore) sf 1 Listar, rol. 2 Ligação, vinculação. 3 Relacionamento. 4 Analogia, semelhança. 5 Mat Razão geométrica. sm pl Convivência, freqüência social trato entre pessoas; parentesco. Relações Humanas: Comportamento do individuo em seu contato com as pessoas. Relações públicas: intercambio de informações, entre uma instituição e sua clientela. Relações sexuais: cópula.
(Michaelis: dicionário prático da língua portuguesa. – São Paulo: Editora Melhoramentos, 2001.)

É muito simples, e qualquer pessoa com um nível de conhecimento básico, sobre significados, palavras e dicionários consegue achar a definição exata de relacionar. Mas na prática significados não costumam valer muito, devo dizer  que valem menos quando se trata do significado de relações humanas da coisa. E valem ainda menos quando o significado vem explicar o lado relação amorosa.

Se interpretarmos as relações pelo seu lado lógico, é muito simples perceber que relações possuem um inicio, meio e fim. Pessoas se conhecem se gostam, ficam juntas, se relacionam, não dão mais certo, se cansam, e deixam de se relacionar. Geralmente ao final de um desses ciclos, essas mesmas pessoas costumam jurar que não se meterão nessa encrenca de “Relacionar” com outras pessoas. Mas elas são humanas, e tempos depois de não estarem se relacionando, querem voltar a se relacionar, e começam tudo de novo.

Pode-se dizer que relacionar resume-se à convivência, trato ou parentesco, mas todos sabem que não é apenas isso. Relacionar-se exige muito mais de uma pessoa do que pode-se caracterizar, e é por isso que a maioria jura nunca mais se meter nessa encrenca relacional. Juram que nunca mais irão chorar, sentir falta, estar junto, e querer outro alguém. E quando percebem, estão indo ao cinema, tomando Milk shake, esperando um dia de chuva pra comer pipoca, estão ficando, estando, namorando, estão se relacionando.

Nada é tão simples quanto um significado de dicionário pode dizer, sempre que procuramos ser lógicos de mais, é quando sabemos que estamos nos perdendo em nosso inconsciente irracional. Buscamos respostas, explicações e qualquer coisa que justifique o nosso comportamento divergente de certo tempo atrás. Pessoas costumam aprender com relacionamentos anteriores e aplicar essa lição nos novos, o que facilita muito o ato de relacionar (ou não).

Relacionamentos são assim, não queremos, mas precisamos. Por isso desejamos sempre que eu relacione, que tu relaciones, que ele relacione, que nós relacionemos, que vós relacioneis. Que eles se relacionem e que toda essa coisa de relação, seja mais fácil do que decorar passados, presentes, perfeitos, indicativos e subjuntivos.